quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

DISCURSO DO DEP. CLEBER VERDE EM PLENÁRIO CONTRA A PEC DOS CARTÓRIOS - PEC 471/2005


DISCURSO EM 25/02/2010 às 10h 18min


O SR. CLEBER VERDE (Bloco/PRB-MA. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, volta à pauta desta Casa a PEC nº 471. Só o fato de ela ter sido pautada, já causa uma instabilidade jurídica. Em Santa Catarina, por exemplo, foi expedida uma liminar suspendendo a posse de metade dos concursados, porque a outra metade já tinha assumido os cargos, ou seja, já tinham tomado conta do seus cartórios. Portanto, foi suspensa a posse dos demais que ainda não tinham tomadoposse em Santa Catarina.Eu pergunto a V.Exa., Presidente, e aos demais Parlamentares, no Maranhão, por exemplo, com a aprovação dessa PEC como ficará a situação de quase 200 concursados que assumiram os cartórios? Certamente, a aprovação dessaPEC poderá criar uma instabilidade jurídica jamais vista neste País, inclusive com pedidos de indenização, pois muitos dos que tomaram posses nos cartórios deixaram seus cargos de juiz, entre outros. Portanto, a PEC causa uma instabilidade jurídica e isso vai ser ruim para esta Casa.Muito obrigado, Sr. Presidente.

POR SUGESTÃO DO DEP. CLEBER VERDE (IND 3783/2009) PODER EXECUTIVO ENCAMINHOU AO CONGRESSO PLP SOBRE APOSENTADORIA ESPECIAL PARA SERVIDORES PÚBLICOS




A Aposentadoria Especial aos trabalhadores – servidores públicos efetivos ou estáveis - que exercem suas atividades sob condições que prejudiquem a saúde ou integridade física é direito assegurado pela Constituição da República Federativa do Brasil (art. 40, incisos I, II e III, do parágrafo 4º da CRFB/88).

Passados mais de 20 anos da promulgação da Constituição Federal - que previu essa aposentadoria especial aos servidores públicos – inexistia Projeto de Lei Complementar que regulamentasse a matéria, até que em 2009, apresentamos a Indicação ao Poder Executivo – Indicação n.º 3783/2009 - sugerindo à Presidência da República o envio ao Congresso nacional de Projeto de Lei Complementar de sua competência exclusiva, criando a aposentadoria especial para os servidores públicos que trabalham expostos aos fatores de risco.

Em 22/02/2020, o Poder Executivo encaminhou ao Congresso Nacional, Mensagem 64/2010, que originou o PLP 555/2010, que assegura o direito a aposentadoria especial aos servidores públicos que exercem suas funções em atividade de risco à saúde ou à integridade física, e assim sendo, mais uma vez atuamos em defesa dos direitos dos aposentados, dos trabalhadores, dos servidores públicos, que tem o direito a aposentadoria especial, e que ainda não estava regulamentada em razão da matéria de competência exclusiva da Presidência da República para envio ao Congresso nacional.

Os servidores públicos, até a data de hoje e até que este PLP seja aprovado, continuam se utilizando do instrumento processual denominado Mandado de Injunção junto ao Supremo Tribunal Federal, por falta de legislação pertinente, que está prevista na Constituição desde 1988, quando da promulgação.

A regulamentação desta situação dos servidores públicos se faz necessária, e sentimo-nos honrados por ter encaminhado ao Poder Executivo a Indicação 3783/2009, que certamente contribuiu para que a Presidência da República encaminhasse ao Congresso PLP 555/2010. Devemos imprimir todos os esforços para aprovação deste PLP, bem como do PLP 554/2010, também do poder Executivo, que assegura a aposentadoria especial aos policiais, e aos profissionais que trabalham com segurança pública, seja em penitenciárias, escolta e controle prisional.
COMENTÁRIO ASSESSORIA JURÍDICA DEP CLEBER VERDE: De fato o texto do PLP encaminhado pelo Executivo necessita alterações importantes para que, quando convertido em Lei, possa atender às necessidades de milhões de servidores que desde 1988 tem este direito, mas nunca foi regulamentado. O Dep. Cleber Verde não medirá esforços para obter texto de Lei adequado e justo. Suas opiniões e comentários são muito importantes para o nosso trabalho. Gratos
Veja Íntegra 3783/2009 - indicação do Dep. Cleber Verde ao executivo
Veja íntegra PLP 555/2010 - Projeto que regulamenta a aposentadoria

Plenário aprova fundo social com emenda que beneficia aposentados



Plenário aprova fundo social com emenda que beneficia aposentados

Texto aprovado reserva 5% dos recursos de combate à pobreza previstos no fundo para recompor as perdas das aposentadorias superiores a um salário mínimo. O texto também assegura aos municípios com menor IDH prioridade nos projetos para redução de desigualdades regionais com recursos do fundo.

O deputado Antonio Palocci (PT-SP) foi o relator do texto aprovado pelo Plenário da Câmara.
A Câmara concluiu, nesta quarta-feira, a votação do substitutivo ao Projeto de Lei 5940/09, que cria um fundo social com parte dos recursos da exploração do petróleo do pré-salO termo pré-sal refere-se a um conjunto de rochas no fundo do mar com potencial para a geração e acúmulo de petróleo localizadas abaixo de uma extensa camada de sal. Os reservatórios brasileiros nessa camada estão a aproximadamente 7 mil metros de profundidade, em uma faixa que se estende por cerca de 800 km entre o Espírito Santo e Santa Catarina. para aplicar em programas de combate à pobreza, de enfrentamento das mudanças climáticas e de desenvolvimento da educação, cultura, saúde pública e ciência e tecnologia. A matéria ainda será votada pelo Senado.
A emenda mais polêmica aprovada reserva 5% dos recursos de combate à pobreza previstos no fundo para recompor as perdas das aposentadorias superiores a um salário mínimo. Isso porque o índice de correção aplicado pela Previdência Social reduz o valor inicial dos benefícios, quando expressos em número de mínimos.
De autoria do deputado Márcio França (PSB-SP), a emenda provocou grande dissidência na base governista, que votou juntamente com a oposição para aprovar o texto e derrotar uma versão alternativa apresentada pelo PT e pelo PMDB. A emenda derrotada previa apenas que os 5% seriam destinados aos segurados da Previdência, sem especificar qual uso deveria ser dado ao dinheiro.
O líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), adiantou que o Executivo não tem nenhum compromisso com a emenda de Márcio França. Já para o líder do PSDB, deputado João Almeida (BA), a emenda rejeitada pretendia "enganar os aposentados".
O projeto tramitou apensado ao PL 5417/09, do deputado Pedro Eugênio (PT-PE), que cria um fundo semelhante e define percentuais dos recursos que seriam destinados ao novo fundo.
MunicípiosO Plenário aprovou mais duas emendas ao substitutivo do deputado Antonio Palocci (PT-SP). Uma delas, do deputado Mendes Ribeiro Filho (PMDB-RS), garante a participação de um representante dos municípios no Conselho Deliberativo do Fundo Social.
A outra, do deputado Júlio Cesar (DEM-PI), melhora o texto para deixar mais claro que os municípios com Índices de Desenvolvimento Humano (IDHÍndice calculado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) que mede o nível de desenvolvimento humano de países e localidades considerando três aspectos: 1) a longevidade, medida pela expectativa de vida da população ao nascer; 2) o acesso ao conhecimento, que utiliza a taxa de alfabetização dos habitantes com 15 anos ou mais e o percentual de matrículas nos três níveis de ensino; e 3) a renda, medida pelo PIB (Produto Interno Bruto) dividido pelo número de habitantes e ajustado ao poder de compra do dólar em cada país. O índice varia de 0 a 1. Quanto maior o número, mais elevada é a qualidade de vida no país. O IDH até 0,499 expressa baixo desenvolvimento humano. Índices entre 0,5 e 0,799 são considerados de médio desenvolvimento humano. IDH superior a 0,8 indica desenvolvimento humano alto.) abaixo da média nacional terão prioridade nos projetos para redução de desigualdades regionais com recursos do fundo.
Royalties atuaisUma novidade no texto aprovado, em relação ao projeto original, é o direcionamento ao fundo de todos os recursos da União vindos de royalties e de participação especial relativos aos blocos do pré-salO termo pré-sal refere-se a um conjunto de rochas no fundo do mar com potencial para a geração e acúmulo de petróleo localizadas abaixo de uma extensa camada de sal. Os reservatórios brasileiros nessa camada estão a aproximadamente 7 mil metros de profundidade, em uma faixa que se estende por cerca de 800 km entre o Espírito Santo e Santa Catarina. licitados até 31 de dezembro de 2009.
Cerca de 28% da área do pré-sal já foram licitados de acordo com as regras vigentes, de concessão das áreas. Estima-se que somente os campos de Tupi, Iara e Parque das Baleias podem ter um total de 14 bilhões de barris. Se esse montante fosse completamente usado hoje, a União receberia cerca de R$ 160 bilhões em royaltiesValor pago ao detentor de uma marca, patente, processo de produção, produto ou obra original pelos direitos de sua exploração comercial. Os detentores recebem porcentagens das vendas dos produtos produzidos com o concurso de suas marcas ou dos lucros obtidos com essas operações. No caso do petróleo e do gás, trata-se de compensação financeira paga aos estados e municípios pela exploração desses produtos em depósitos localizados em terra ou na plataforma continental. e participação especial.
Segundo o relator, essa fonte de recursos é necessária para viabilizar o funcionamento do fundo. "Senão, ele levaria muitos anos para ser capitalizado", afirmou.
BônusAlém dos royaltiesValor pago ao detentor de uma marca, patente, processo de produção, produto ou obra original pelos direitos de sua exploração comercial. Os detentores recebem porcentagens das vendas dos produtos produzidos com o concurso de suas marcas ou dos lucros obtidos com essas operações. No caso do petróleo e do gás, trata-se de compensação financeira paga aos estados e municípios pela exploração desses produtos em depósitos localizados em terra ou na plataforma continental.A lei aplicada hoje (9478/97) determina que a parcela do valor do royalty que exceder a 5% da produção seja distribuída da seguinte forma: - quando a lavra ocorrer em terra ou em lagos, rios, ilhas fluviais e lacustres: . 52,5% aos estados onde ocorrer a produção; . 15% aos municípios onde ocorrer a produção; . 7,5% aos municípios que sejam afetados pelas operações de embarque e desembarque de petróleo e gás natural; e . 25% ao Ministério da Ciência e Tecnologia para financiar programas de amparo à pesquisa científica e ao desenvolvimento tecnológico aplicados às indústrias do petróleo, do gás natural e dos biocombustíveis; e - quando a lavra ocorrer na plataforma continental: . 22,5% aos estados produtores; . 22,5% aos municípios produtores confrontantes; . 15% à Marinha, para atender aos encargos de fiscalização e proteção das áreas de produção; . 7,5% aos municípios que sejam afetados pelas operações de embarque e desembarque de petróleo e gás natural; . 7,5% para constituição de um fundo especial, distribuído entre todos os estados e municípios; . 25% ao Ministério da Ciência e Tecnologia para financiar programas de amparo à pesquisa científica aplicada às indústrias do petróleo, do gás natural e dos biocombustíveis. Participação especial Nos casos de grande volume de produção ou de grande rentabilidade, está previsto o pagamento de uma participação especial, aplicada sobre a receita bruta da produção. Nessas situações, a distribuição é de: - 40% ao Ministério de Minas e Energia; - 10% ao Ministério do Meio Ambiente; - 40% para o estado onde ocorrer a produção em terra, ou fronteiriço com a plataforma continental onde se realizar a produção; e - 10% para o município onde ocorrer a produção em terra, ou que faça fronteira com a plataforma continental onde se realizar a produção. de pré-sal já licitados, o projeto destina ao fundo social parcelas dos royalties ganhos pela União com base no novo regime de partilha para a exploração do pré-sal, na forma de regulamento futuro.
O chamado bônus de assinatura, um valor único pago pelo vencedor da licitação no momento em que firma o contrato de exploração, também poderá ser direcionado, em parte, ao fundo. Outra fonte de recursos é a receita conseguida com a venda do petróleo que caberá à União no regime de partilha. Como o nome indica, nessa nova sistemática parte da produção será repartida entre a União e a contratada.


Reportagem – Eduardo Piovesan Edição – João Pitella Junior

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

CLEBER VERDE FALA SOBRE OS PROGRAMAS SOCIAIS DO GOVERNO LULA NA TRIBUNA



O SR. CLEBER VERDE (Bloco/PRB-MA. Sem revisão do orador.) - Sr.Presidente, quero aproveitar a oportunidade para cumprimentar V.Exa. e todos os Srs. Deputados e para cumprimentar o PT pelo IV Congresso realizado nesse finalde semana. Tive a oportunidade de estar presente naquele congresso, representando o Presidente do meu partido, o PRB, Vitor Paulo. Junto conoscotambém estavam as representações do PDT, do PSB, do PcdoB e segmentos de Parlamentares e aliados do PT de todo o Brasil. Naquela oportunidade, Sr. Presidente, tivemos a felicidade de ver olançamento da candidatura da Ministra Dilma Rousseff. Tenho certeza de que, coma sua eleição, teremos a continuidade de um programa de Governo que tem trazidobenefícios inúmeros para o nosso País, dentre os quais posso destacar a questãodo social.
Não podemos deixar de cumprimentar o Presidente Lula — e este Governo, portanto — pelos avanços na área social, pela diminuição da desigualdade de rendaem nosso País, com a criação de programas assistenciais, sociais, que vêmatendendo principalmente a Região Nordeste, de onde sou oriundo, que vêmajudando muito a diminuir a desigualdade neste País.
Dentre esses programas sociais, destaco o que considero o maior programade renda mínima do País, que é a aposentadoria rural de lavradores e pescadores, que vem sendo mantida por esse Governo. Há uma perspectiva de manutenção dele. Tenho certeza de que a nossa futura Presidenta da República — a primeira mulher Presidente do Brasil, com o apoio de todos nós — irá conduzir acontinuidade desse programa tão importante para o Brasil e para a Região Nordeste,de forma específica. Por exemplo, quanto aos lavradores e pescadores, é garantidaa aposentadoria — mulheres aos 55, homens aos 60 anos — apenas comprovando suas atividades.
Da mesma forma, Sr. Presidente, os programas sociais, como o amparo daLei Orgânica da Assistência Social, que garante ao idoso e ao deficiente umaaposentadoria de um salário mínimo, os benefícios do Bolsa Família, enfim, os programas sociais de modo geral. Veja o aumento considerável do salário mínimoao longo desses anos.
Contudo, entendemos que muito ainda precisa ser feito. Então, venho a esta tribuna primeiramente parabenizar o PT, pelo seu programa, pela evolução, pelacondução dos programas sociais, pela redução da desigualdade de renda do nossoPaís.
Sr. Presidente, pude testemunhar que V.Exa. estava lá no Congresso, nessefinal de semana, quando o PT lançou a Ministra Dilma como candidata à Presidênciada República. Tenho certeza de que o PT há de reconhecer que precisamos, dealguma forma, atender aos anseios principalmente dos nossos aposentados.
Houve muitos avanços, mas, no tocante aos aposentados e pensionistas doRegime Geral, aqueles que contribuíram para ganhar mais precisam ser mais bemassistidos por este Governo. Quero fazer um apelo ao Presidente Lula, à equipe deGoverno, àquela que certamente está preparando-se para essa campanha, que vaiassumir a próxima gestão, pós-Lula, para assumir um compromisso com osaposentados.
Temos a chance agora, por exemplo, de votar uma medida provisória com algumas emendas para garantir que o mesmo reajuste a ser dado ao mínimo seja dado a quem ganha acima do mínimo. Quanto à política permanente de correção,temos de atender aos aposentados, garantindo-lhes uma renda que possa manter oseu poder de compra.
É o apelo a este Governo para que neste ano, ainda neste semestre,possamos fazer valer aquilo que vem sendo uma luta dos aposentados nesta Casa.Nós nos somamos a esta luta e queremos ver esse direito reconhecido. Há noGoverno Lula uma dificuldade em atender a esses anseios. Esperamos que nesteano, no início desta Legislatura, esta Casa aprove matérias relevantes aosinteresses dos aposentados. Esta é uma grande chance de poder ter mais essesegmento da sociedade — que são os aposentados e pensionistas do RegimeGeral, que ganham acima do mínimo — a favor deste Governo.
Tenho certeza de que a Ministra Dilma vai poder contribuir, e muito, ainda como Ministra, no sentido de articular com este Governo a atenção aos aposentadose a garantia de que possamos aprovar nesta Casa aquilo que queremos: a revisãodos benefícios dos nossos aposentados e pensionistas, daqueles que ganham acima do mínimo, garantindo obviamente o seu poder de compra.
Tenho certeza de que, com o PT, ainda este ano, poderemos ver consolidada a garantia de direitos tão importantes a esse segmento da sociedade que estáexcluído. Certamente vamos poder garantir esses benefícios a aposentados e pensionistas de todo o País.
Muito obrigado, Sr. Presidente.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

CLEBER VERDE FAZ DISCURSO EM FAVOR DOS PESCADORES NA CÂMARA



CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ
Hora: 15:21
Orador: CLEBER VERDE
Data: 18/02/2010
O SR. PRESIDENTE (Odair Cunha) Concedo a palavra ao Sr. Deputado Cleber Verde.O SR. CLEBER VERDE (Bloco/PRB-MA. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente Deputado Odair Cunha, a quem tenho a honra nesta tarde de falar neste Grande Expediente, com duração de 25 minutos, em que vamos ter a oportunidade de falar ao povo brasileiro. Quero cumprimentar a todos, Deputados, Deputadas, funcionários, telespectadores da TV Câmara, Rádio Câmara, neste pronunciamento a respeito da pesca.Nos registros que conhecemos acerca das atividades extrativistas desenvolvidas pelo homem, a pesca encontra-se dentre as primeiras. Desde a fundação das colônias de pescadores, sob a tutela à época do Estado, no início do século XX, os pescadores artesanais estiveram sob o controle e dominação política de órgãos governamentais.A partir da Constituição de 1988, os pescadores artesanais conquistaram avanços no que tange aos direitos sociais e políticos, quando as colônias de pescadores, através do parágrafo único do art. 8º, foram equiparadas aos sindicatos de trabalhadores rurais, recebendo a configuração, portanto, sindical.E o art. 8º diz:É livre a associação profissional ou sindical, observando-se o seguinte...Esse artigo tem 8 incisos, dentre os quais o parágrafo único estabelece que as disposições desse artigo, portanto, do art. 8º da Constituição Federal, aplicam-se também a organização de sindicatos rurais e de colônias de pescadores, atendidas as condições que a lei estabelecer. Desde então, portanto, as colônias foram equiparadas aos sindicatos rurais pela sua autonomia na perspectiva, obviamente, das garantias fundamentais como a livre associação, da vedação da criação de mais de uma organização sindical em qualquer grau respectivamente de categoria do mesmo município, do inciso que diz que ninguém será obrigado a filiar-se ou manter-se filiado a qualquer sindicato, garantindo também ao aposentado filiado o direito a votar e ser votado nas organizações sindicais. Enfim, o art. 8º da Constituição Federal estabelece critérios de associação. E isso deu condições às colônias de se equipararem aos sindicatos. As primeiras colônias de pescadores do Brasil foram fundadas a partir de 1919 e levadas a cabo pela Marinha de Guerra. Dois grandes fatores contribuíram para essa investida do Estado. Primeiramente, o País começou o século XX importando peixes — por incrível que pareça nós começamos o século XX importando peixes, Sr. Presidente — apesar de possuir um vasto litoral e diversidade de águas interiores.Após a Primeira Guerra Mundial, aumentou o interesse do Estado em defender a costa brasileira. O discurso instituído para fundar as colônias baseou-se na defesa nacional, pois ninguém melhor que os pescadores, empiricamente, para conhecer os segredos do mar. O lema adotado pela Marinha para a fundação das colônias de pescadores foi Pátria e Dever, evidenciando o pensamento positivista. O primeiro estatuto das colônias de pescadores data do dia 1º de janeiro de 1923, assinado sob a forma de aviso, proveniente da Marinha. As colônias eram definidas como agrupamento de pescadores ou agregados associativos. Para poder desenvolver a atividade pesqueira, os pescadores eram, portanto, obrigados a se matricular nas colônias. Em 1920 foi criada a Confederação dos Pescadores do Brasil. Até então, as relações instituídas entre pescadores e Estado se caracterizavam pelo paternalismo e pelo assistencialismo. No processo de conquista da confiança dos pescadores, o Estado prestou serviços gratuitos em embarcações: doou redes, ofereceu serviços de saúde, além de ter criado algumas escolas para os filhos dos pescadores, denominadas de Escoteiros do Mar, com finalidades de militarização e treinamento para os jovens, além do cultivo do civismo. Com a instituição do Estado Novo, na era Vargas, a organização dos pescadores passou por algumas mudanças. Através do Decreto nº 23.134, de 1933, foi criada a Divisão de Caça e Pesca, cujo objetivo era gerenciar a pesca no País. Os pescadores deixaram de estar subordinados ao Ministério da Marinha e passaram para o controle do Ministério da Agricultura. Esse Ministério elaborou o primeiro Código de Pesca, em janeiro de 1934, subordinando os pescadores à Divisão de Caça e Pesca.Em meio ao surgimento dos primeiros sindicatos de trabalhadores predominantemente urbanos, as relações entre os pescadores e o Estado assumiram diferentes configurações daquelas do período da fundação da divisão.Com o advento da Segunda Guerra Mundial, exatamente entre 1939 e 1945, novas mudanças foram introduzidas na organização dos pescadores artesanais, através do Decreto-Lei nº 4.890, de outubro de 1942. Foi transferida, portanto, a subordinação dos pescadores do Ministério da Agricultura para o Ministério da Marinha.Na década de 60, foi criada a Superintendência de Desenvolvimento da Pesca — SUDEP, sendo extinta a Divisão de Caça e Pesca, que outrora fora criada.Estou fazendo questão de citar esse histórico, Sr. Presidente, para falar da evolução da pesca em nosso País e das leis de 2009, período auge de apoio aos nossos pescadores.Com o golpe militar de 1964, as relações entre o Estado e os movimentos sociais, de um modo geral, foram cortadas, culminando com o fechamento dos sindicatos. O novo Código de Pesca foi instituído, em pleno AI-5 do regime militar, através do Decreto nº 221, de 28 de fevereiro de 1967, que estabelece as normas para o exercício da atividade da pesca. Apesar de vários projetos de lei estarem tramitando no Congresso Nacional, é esse decreto que ainda vigora na atualidade — dizemos isso, obviamente, antes do que vamos citar no final do discurso.Ressaltamos também, Sr. Presidente, que no final da década de 60 o Estado incentivou a implantação da indústria pesqueira nacional, principalmente por meio de mecanismos como incentivos fiscais e isenção de impostos, buscando atingir divisas para o País através da atividade pesqueira industrial. Em favor dessa nova forma de captura do pescado, a atividade pesqueira artesanal foi perdendo incentivos. A pesca artesanal entre 1967 e 1977 havia recebido somente 15% do equivalente ao fundo de investimento na indústria pesqueira, por incentivos fiscais.Desde então, portanto, a organização dos pescadores retornou para a tutela do Ministério da Agricultura, que instituiu um novo estatuto para as colônias de pescadores, por meio da Portaria nº 471, de 26 de dezembro de 1973.As colônias se mantiveram sob a denominação de sociedade civil, porém subordinadas ao controle do Estado, das federações e da Confederação Nacional de Pescadores, conforme podemos verificar no § 2º do art. 1º. Através deste decreto, as colônias de pescadores se obrigam à estreita colaboração com as autoridades públicas, com as respectivas federações e com a Confederação Nacional de Pescadores. Quero fazer um parêntese, Sr. Presidente, ao citar colônias, federação e confederação, para enaltecer a figura do Deputado Edson Araújo, que, como suplente, assumiu por 4 meses e, portanto, ao ser empossado na Assembleia, passa a ser Deputado também. S.Exa. passou 4 meses naquela Casa e vem fazendo um trabalho grandioso em favor dos pescadores maranhenses, ressaltando, por exemplo, a criação de mais de 112 colônias de pescadores no Maranhão, que tem um vasto litoral. As colônias no Maranhão estão organizadas, buscando e reivindicando aquilo que lhes é obviamente de direito. O Edson, como Presidente da Federação de Pescadores, tem feito um trabalho grandioso para garantir a unidade dos pescadores, que se somam hoje a mais de 150 mil famílias no Maranhão. Tenho certeza de que é uma força emergente do Estado, que precisa obviamente do apoio do Estado e do Governo Federal. O Governo criou recentemente o Ministério da Pesca, e o nosso Estado, pelas condições que tem, já deveria urgentemente ter criado a Secretaria Estadual da Pesca. Tenho certeza de que o Deputado Flávio Dino, com o gesto que faz neste momento, concorda com nosso pensamento de que o Estado está perdendo tempo e recurso quando não cria uma secretaria tão importante como a que se tem, que vai envolver tantas famílias que se somam a mais outras 150.mil que vivem hoje da pesca. Infelizmente o Estado ainda não concretizou esse sonho do pescador, a criação de uma secretaria para garantir uma política direta de atenção aos pescadores do Maranhão.Sr. Presidente, com muito prazer, concedo um aparte ao nobre Deputado Flávio Dino.
O Sr. Flávio Dino - Deputado Cleber Verde, quero mais uma vez homenagear V.Exa. pela relevância dos temas que traz à tribuna da Casa como representante do povo do nosso Estado, sempre com grande sensibilidade social e grande preocupação com os temas de interesse da classe trabalhadora. Quero manifestar minha integral convergência com essa abordagem acerca da centralidade da atividade da pesca para o Maranhão, segundo maior litoral do País — ou primeiro, se consideradas as reentrâncias.Portanto, deveria haver, infelizmente não há — não obstante os esforços do Deputado Edson Araújo, grande companheiro, que V.Exa. mencionou, de outras lideranças, do movimento dos pescadores — , em nosso Estado, uma política pública consistente, que leve em conta o fato de 1 milhão de maranhenses, direta e indiretamente, retirarem sua subsistência dessa atividade econômica de grande importância e alcance social. Solidarizo-me com V.Exa. e o homenageio pela atuação parlamentar. Sua sugestão estáacolhida para o programa de Governo que haveremos de defender nas eleições de 2010, e espero que, também, na companhia do PRB de V.Exa.
O SR. CLEBER VERDE - Fico extremamente feliz em saber da concordância do nobre Parlamentar, Deputado Flávio Dino, porque além de ser um grande Parlamentar, enaltecer, abrilhantar e dignificar a população de nosso Estado, o Maranhão, é um dos pretensos candidatos ao Governo do Estado, e aqui testemunhar, como uma das plataformas de seu Governo, caso venha a governar o Estado do Maranhão, a inclusão em seu plano de Governo da criação dessa Secretaria, que já deveria ter sido feita há muito tempo. Parabenizo V.Exa. pela iniciativa e pela ideia de garantir no plano de Governo de V.Exa. a criação da Secretaria de Pesca do Estado do Maranhão, que tem muito a ganhar, com mais recursos, estrutura e apoio aos pescadores. Em alguns locais do Maranhão, vemos pescadores virem de outros Estados, do Ceará, por exemplo, invadirem nossa costa litoral, fazerem pesca de arrastão, pesca criminosa, levando esse pescado para fora e tirando o sustento das famílias maranhenses. Essa Secretaria, que menciono e que V.Exa. já concordou com a ideia de em seu Governo criá-la, pretende fiscalizar, ajudar a Marinha e o IBAMA na proteção daquilo que é do Maranhão, garantindo melhor sustento aos nossos pescadores e às famílias maranhenses. Com muito prazer, passo a palavra, para me apartear, ao Deputado Luiz Couto, nobre e digno Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Tenho orgulho de ser um de seus membros e poder tê-lo como Presidente daquela Comissão tão importante para esta Casa e para o País.
O Sr. Luiz Couto - Deputado Cleber Verde, assim como V.Exa. fala hoje da pesca e do pescador, o Deputado Flávio Dino, candidato, está pescando apoios por aí; os quais com certeza terá se eleito Governador do Maranhão, comum trabalho efetivo. Conhecemos a prática de S.Exa., não apenas como advogado, promotor, juiz, mas também como Parlamentar; homem dedicado àquilo que é mais importante: o desenvolvimento que possa trazer justiça social. Mas quero lembrar a V.Exa. que, anteriormente, a pesca era ligada àagricultura. Mas o Governo Lula criou uma Secretaria Especial ligada diretamente à Presidência da República, dando-lhe condições efetivas e, no ano passado, transformou-a em Ministério. Ainda hámuito a fazer. Sabemos que, hoje, bastantes barragens e açudes não são aproveitados. Muitas vezes, o homem do campo tem lá o feijão e o arroz, mas não tem a mistura. Com a pesca no açude ou na barragem, ele pode ter essa mistura, que vai servir para que sua alimentação seja mais forte e dar-lhe mais dignidade na vida. Então, quero parabenizar V.Exa. pelo pronunciamento que fala sobre a história da pesca no nosso País, mas também sobre as perspectivas que temos e as políticas públicas que precisam ser implementadas. Assim, não mais teremos o pescador reclamando, o tempo todo, de que não recebe do Poder Público a atenção devida para que possa viver com dignidade. Parabéns pelo pronunciamento. V.Exa., que é um homem ligado à questão dos aposentados e pensionistas, tem agora, à frente, também essa luta pelos pescadores, vários do Estado do Ceará. Efetivamente, muitas vezes, eles não são reconhecidos nem valorizados pelo Poder Público. É isso o que V.Exa. está cobrando agora.
O SR. CLEBER VERDE - Muito obrigado, Deputado Luiz Couto. É justamente nessa evolução histórica do apoio ao pescador, que vai da separação entre a caça e a pesca à SUDEPE, que, no ano de 1985, a Confederação Nacional dos Pescadores fez uma convocação a todas as federações estaduais, encaminhando a realização de assembleias, para que elas elegessem delegados para comporem um grupo que veio a se denominar Movimento Constituinte da Pesca. Esse Movimento teve como finalidade discutir, elaborar e apresentar propostas aos Deputados e Senadores Constituintes, reivindicando a inclusão das proposições dos pescadores artesanais na Constituição Federal.Na Capital Federal, os pescadores artesanais somavam-se a outras categorias de trabalhadores urbanos e rurais, entre eles agricultores, professores e outros, que também reivindicavam direitos sociais e políticos.Após a promulgação da Constituiçãode 1988, em 5 de outubro de 1988, identificamos alguns avanços acerca da organização dos pescadores artesanais. As colônias foram equiparadas, em seus direitos sociais, a um sindicato de trabalhadores rurais. Abriu-se a possibilidade de as colônias elaborarem seus próprios estatutos, adequando-os à realidade de seus Municípios. O art. 8º, que já mencionei aqui no início da minha fala referente à Constituição, trata, exclusivamente, de questões comuns às colônias e aos sindicatos de trabalhadores rurais. Destacamos o inciso I do referido artigo, que diz: A lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão competente, vedadas ao poder público a interferência e a intervenção na organização sindical. Obviamente, equiparam-se aos sindicatos as colônias de pescadores, conforme o parágrafo único desse artigo da Constituição Federal.Em nível estrutural, a Lei nº. 7.735, de 22 de fevereiro de 1989, extinguiu, portanto, a SUDEPE e criou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, o IBAMA, vinculado ao Ministério do Interior. Esse novo órgão passa a ter a responsabilidade de gerenciar e promover o desenvolvimento do setor pesqueiro do País. Através da Lei nº. 8.746, de 9 de dezembro de 1993, é criado o Ministério do Meio Ambiente e da Amazônia Legal, que passa a incorporar as representações de pescadores artesanais. Por fim, no ano de 1998, o Ministério da Agricultura volta a incorporar os pescadores artesanais dentro de sua estrutura.Os pescadores, enquanto produtores de alimentos, mantêm relações estreitas com a natureza. O convívio com o mar, principalmente quando a pescaria se estende por dias, acaba por contribuir para um certo isolamento dos demais companheiros de trabalho, uma característica singular dos pescadores, que se diferenciam de outros trabalhadores. Os pescadores, na seguridade social da Previdência Social, reivindicam a concessão de benefícios previdenciários, nos quais estão enquadrados. O pescador e o lavrador têm o direito. Aqui quero enaltecer a figura dos legisladores constituintes, Sr. Presidente, que à época foram muito felizes, quando reduziram a idade da mulher e do homem para 60 e 55 anos. Ou seja, reduziu-se 5 anos a idade para a aposentadoria por idade, tanto ao lavrador, quanto ao pescador. Nós estamos querendo incluir agora, através da PEC que temos em andamento, o garimpeiro, porque o texto original da Constituição garantia também ao garimpeiro. Então, veja, o constituinte originário permitiu a esse pescador, a esse lavrador e ao garimpeiro, à época, exatamente se aposentar com 5 anos a menos. Por quê? Pelas intempéries, pela exposição, pelo trabalho penoso, pelo trabalho árduo que exercem o lavrador e o pescador. Ganha com isso o Nordeste, ganha com isso o País, porque o Programa de Renda Mínima, que eu considero um dos mais importantes deste País e deste Governo, é exatamente a aposentadoria rural, que leva esse benefício a lavradorese pescadores e que, obviamente, garante a vinculação dessa receita direta nos Municípios.Sr. Presidente, hoje, há municípiosem que a arrecadação de aposentados e pensionistas, como, por exemplo, o Estado do Maranhão, chegam a ser superiores ao FPM. Ou seja, o que circula e que movimenta a economia local são exatamente essas aposentadorias. Graças à legislação, foi permitido ao pescador se aposentar: a mulher aos 55 anos, e o homem aos 60 anos, sem precisar da contribuição total. Vejam, eles são segurados obrigatórios, mas foi facultado a eles a perspectiva e a possibilidade apenas de comprovar a atividade, através da declaração da colônia, comprovando através de fichas, de recibos, de documentos quaisquer contemporâneos à sua época, que conste lá a profissão dele, quer de lavrador, quer de pescador. Então, ele leva esses comprovantes ao INSS, com idade já adquirida — 55 anos a mulher, e o homem aos 60 anos — , para buscar a tão sonhada aposentadoria. Diante disso, quero parabenizar o Ministério da Previdência Social pelos avanços, no sentido de poder garantir exatamente esse benefício a esses trabalhadores. E é um programa de expansão que nós aqui ajudamos. A bancada do Maranhão contribui, de forma decisiva, para que o Ministério da Previdência Social pudesse, ainda no ano de 2009 e este ano, garantir a construção de 59 agências no Maranhão, que vão estar mais próxima do trabalhador e fazer com que possamos diminuir as filas e evitar o sofrimento daqueles trabalhadores que dormiam nas filas, passavam dias e meses e anos para serem atendidos. Certamente esse programa de expansão do Governo Lula, que aproxima as agências do trabalhador, está facilitando e beneficiando todos. Em especial, aqui que me refiro neste momento aos nossos pescadores.Mas, Sr. Presidente, a Lei nº 8.212, de 1991, alterada pela nova Lei nº 11.718, de 2008, conceitua, portanto, aquilo que eu acabava de falar, que é o segurado especial, permitindo a ele aposentadoria exatamente como lavrador, ou seja, com 5 anos menos em relação à mulher e homem, respectivamente.Sr. Presidente, fiz esse retrospectiva na condução das políticas voltadas para o pescador exatamente para chegar no dia de hoje. Quero aqui, por dever de Justiça, parabenizar, de forma entusiasmada, o Deputado Flávio Bezerra, que está no primeiro mandato nesta Casa. É Deputado do PRB, nosso partido, representa o Estado do Ceará e que, junto com outros companheiros — e aqui quero me incluir nesse trabalho desenvolvido por eles, Deputado Flávio Dino e tantos outros Parlamentares — , conseguimos e, sob a liderança de S.Exa. como coordenador da Frente da Pesca, alguns avanços. O ano de 2009 trouxe esses avanços para o setor da aquicultura e pesca do País. O Presidente Lula, sensível às questões sociais, sancionou a lei que cria o Ministério da Pesca e Aquicultura, o MPA, em substituição à Secretaria Especial da Aquicultura e Pesca, SEAP. Foi sancionada também a nova Lei da Pesca, em 2009 também criamos a Secretaria, obviamente com o trabalho dos Parlamentares que mostrou ao Governo a importância da criação desse Ministério, saímos da Secretaria para o Ministério com autonomia, com condições de poder garantir recursos aos Estados produtores de pesca e apoiando o pescador artesanal, também foi sancionada a nova Lei da Pesca, projeto que tramitava há anos no Congresso Nacional, o setor é regulado pelo Decreto Lei nº221, de 1967, que estava completamente defasado e não respondia mais às necessidades de pescadores, aquicultores e indústrias dos vários segmentos da cadeia produtiva. Com essa nova legislação, os pescadores e aquicultores passaram a ser considerados produtores rurais, o que dará, e que dá, na verdade, direito ao crédito rural, que sóos lavradores tinham, hoje o pescador também tem direito ao crédito rural, com acesso a recursos mais baratos para financiar a produção. A aquicultura comercial brasileira não estava prevista na velha lei. A atividade ganhou um capítulo específico, o que se traduz em avanços significativos para atender antigas reivindicações do setor. A aquicultura firmou-se como atividade econômica no cenário nacional da produção de alimentos a partir de 1990, época em que a produção brasileira de pescado cultivado girava em torno de 25 mil toneladas/ano, em 2009 — segundo informações, são produzidas 270 mil toneladas por ano.Portanto, a nova lei traz também capítulo exclusivo sobre aquicultura, que passa a ter 5 classificações: familiar, comercial, científica, ornamental e recomposição ambiental. O texto unifica também as normas para a seção de áreas voltadas para o cultivo de pescado em águas da União.Portanto, tenho certeza de que o ano de 2009 foi de avanço. Criamos, como citei, a Lei nº 11.959, de junho de 2009, sancionada pelo Presidente Lula, que dispõe a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura e da Pesca, regulando as atividades pesqueiras. Foi também sancionada a Lei nº 11.699, de 13 de junho de 2008, que dispõe sobre as colônias, federações e Confederação Nacional dos Pescadores, regulamentando o parágrafo único, do art. 8º da Constituição Federal. Por último, também 2009, foi sancionada a Lei nº 11.958, de junho de 2009, que dispõe sobre a transformação da Secretaria Especial da Aquicultura e Pesca para o Ministério de Pesca e Aquicultura. Ou seja, foram avanços que tivemos, além das colônias, da pesca. Obviamente, a criação do Ministério que vai permitir garantir aos Estados produtores apoio maior do Governo, com incentivo, implemento, instrumento pesqueiro para auxiliar o pescador no manuseio do seu trabalho e garantir produção ainda maior e a sustentação de maior número de famílias Brasil afora. O Estado do Maranhão tem que acordar e urgentemente criar a Secretaria que vai atender aproximadamente 200 mil famílias e receber recursos federais.Muito obrigado.
Projeto torna IGP-M o fator de atualização de contribuições

A Câmara analisa o Projeto de Lei 6034/09, do deputado Cleber Verde (PRB-MA), que institui o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), medido pela Fundação Getúlio Vargas, como fator de atualização dos salários de contribuição considerados para o cálculo dos benefícios previdenciários de prestação continuada (BPC) do Regime Geral de Previdência Social (RGPS).O projeto pretende regulamentar o parágrafo 3º do artigo 201 da Constituição, segundo o qual "todos os salários de contribuição considerados para o cálculo de benefício serão devidamente atualizados, na forma da lei".Cleber Verde considera o IGP-M o índice mais adequado por ser "mais popular e democrático e abranger toda a população, sem distinção de nível de renda".Composição do índiceO IGP-M é formado pelo IPA-M (Índice de Preços por Atacado - Mercado), IPC-M (Índice de Preços ao Consumidor - Mercado) e INCC-M (Índice Nacional do Custo da Construção - Mercado), com pesos de 60%, 30% e 10%, respectivamente. A pesquisa de preços é feita entre o dia 21 de cada mês e o dia 20 do mês subsequente.Cleber Verde assinala que o indicador mede a variação dos preços dos bens de consumo, como os alimentos, e também dos bens de produção, como matérias-primas e materiais de construção."Entram, além de outros componentes, os preços de legumes e frutas, bebidas e fumo, remédios, embalagens, aluguel, condomínio, empregada doméstica, transportes, educação, leitura e recreação, vestuário e despesas diversas, como cartório, loteria, correio, mensalidade de Internet e cigarros", destaca o deputado.TramitaçãoO projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação, inclusive quanto ao mérito; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Fonte: Agência Câmara

CLEBER VERDE APRESENTA EMENDAS EM FAVOR DOS APOSENTADOS




Embora no ano passado o governo não tenha concedido o tão batalhado reajuste dos benefícios previdenciários com o mesmo índice de reajuste do salário mínimo, alguns parlamentares, sensibilizados com a causa dos aposentados e pensionistas, apresentaram emendas que pedem a integralidade dos reajustes.


À pedido da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (COBAP), o deputado federal Cleber Verde (PRB-MA), sempre engajado na causa do segmento, justificou em sua emenda que "o custo de vida eleva-se proveniente as despesas advindas da idade com medicamentos e alimentação, além de que muitos dos aposentados sustentam famílias inteiras e injetam recursos financeiros na economia de vários municípios brasileiros". Destacou ainda que esses fatores "divergem das alegações feitas para não conceder um reajuste integral e digno".


O presidente da COBAP, Warley Martins Gonçalles, considera este ano seja mais favorável para a aprovação dos projetos que beneficiam os aposentados, devido às eleições em outubro. "Já começamos com nossas manifestações e vamos pressionar cada vez mais. Nosso movimento está forte. Quero ver quem vai ter coragem de se posicionar contra os aposentados em ano de eleição", declara Warley.



Aposentados 17/02/2010 Por Livia Rospantini